Álbum se destaca por releituras de hits da Marina, Zé Ramalho e Márcio Greyck
O público ainda nem assimilou integralmente a morte do Jerry Adriani, no domingo passado, dia 23, e agora é surpreendido com mais uma triste notícia. Desta vez, o falecimento do Belchior, aos 70 anos, mesma idade do Jerry, na noite deste sábado, 29, em Santa Cruz, no Rio Grande do Sul. A causa do falecimento ainda é desconhecida. O corpo do músico, desaparecido há 11 anos por auto-exílio, deve ser transferido para o Ceará ainda neste domingo, 30. O sepultamento será realizado em Sobral, onde nasceu em 26 de outubro de 1946, a 240 km de Fortaleza. Em homenagem póstuma, vou postar este “Vício Elegante”, CD lançado em 1996, com releituras de canções conhecidas, como “Aparências” (sucesso do Márcio Greyck), “Táxi boy – Garoto de Aluguel” (Zé Ramalho), “Charme do Mundo” (Marina) e outras. A faixa que dá título ao CD é a única autoral, feita em parceria com Ricardo Bacelar.

Antônio Carlos Gomes Belchior Fontenelle Fernandes tomou gosto pela música através do estudo na escola e do contato com a cultura popular. Aluno brilhante e leitor voraz de literatura, estudou medicina, mas optou por fazer carreira como cantor e compositor. Entre 1965 e 1970, tentou a sorte em festivais estudantis e tornou-se apresentador de um programa musical na TV local, em Fortaleza. Estreou em disco solo em 1974 e, dois anos depois, a partir do segundo álbum, "Alucinação" (na foto acima), firmou-se como grande revelação da MPB, inicialmente como compositor. Roberto Carlos havia gravado “Mucuripe” em 1975, e Elis Regina ampliou sua fama ao gravar "Velha roupa colorida" e "Como nossos pais" no clássico álbum "Falso Brilhante". Outro sucesso de sua autoria, “Paralelas”, foi gravado pela Vanusa em 1975.

Sucesso popular e de crítica nos anos 1970 e começo dos 1980, Belchior desenvolveu uma longa e regular carreira fonográfica até 1999. Nas últimas duas décadas, mesmo sem lançar discos, tornou-se objeto de culto e viu trabalhos como os álbuns "Alucinação", de 1976, e "Coração Selvagem", de 1977, serem aclamados como obras fundamentais da nossa música. Em 2003, quando o poeta Carlos Drummond de Andrade completaria 101 anos, o artista surpreendeu os fãs com o projeto “As várias caras de Drummond” (na foto ao lado), formado por livro com 31 gravuras e dois CDs, vendido em bancas de jornais. O projeto, feito em parceria com a Editora Caras, se destacou por desenhos e poemas musicados pelo Belchior .
Em 2006, o artista sumiu sem deixar (muitos) vestígios, motivado por uma separação e acúmulo de dívidas. Belchior deixou o flat onde morava com a mulher e os dois filhos na zona sul da capital paulista. Ele também abandonou os dois carros, um no Aeroporto de Congonhas, e outro num estacionamento próximo ao seu apartamento. A partir daí, Belchior sumiu, passou a se disfarçar, e teria até perdido o velório da mãe, Dona Dolores, para não ser encontrado. Um triste fim para um grande talento. Confira:
01 - Almanaque
(Chico Buarque)
02 - Doce Mistério Da Vida (Ah! Sweet Mistery Of Lif)
(V. Herbert)
03 - O Tolo
(Erasmo Carlos - Roberto Carlos)
04 - Taxi Boy (Garoto De Aluguel)
(Zé Ramalho)
05 - Esquadros
(Adriana Calcanhoto)
06 - Aliás
(Djavan)
07 - Vício Elegante
(Ricardo Bacelar - Belchior)
08 - O Nome Da Cidade
(Caetano Veloso)
09 - Charme Do Mundo
(Marina Lima - Antônio Cícero)
10 - Aparências
(Cury - Ed Wilson)
11 - Paixão
(Kledir Ramil)
12 - Eternamente
(Liliane - Sergio Natureza - Tunai)
13 - Panis Angelicus
(Sergio Tannus - Tradicional - Zé Américo)