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quinta-feira, 15 de março de 2018

Tim Maia - Série "Personalidade" (LP 1988)

 Tim Maia morreu há exatos 20 anos, e deixou importante legado na MPB
Parece que foi ontem, mas hoje faz 20 anos que recebíamos a triste notícia sobre o falecimento do Tim Maia (28/09/1942 – 15/03/1998) no hospital Universitário Antônio Pedro, em Niterói, no Rio, de choque séptico (colapso do organismo causado por infecção generalizada). O cantor e compositor tinha 55 anos e foi responsável pela introdução do estilo soul na MPB. Pra lembrar do “Síndico do Brasil”, apelido dado pelo amigo Jorge Ben Jor na música W/Brasil, vou postar a coletânea “Personalidade”, lançada em 1988 pela Philips. O disco, com 12 faixas, inclui principais músicas do acervo da gravadora, e traz texto de apresentação, assinado por Luiz Antonio Giron, que acho interessante reproduzir:

“O futuro é um ruído estranho. Em 1970, quando Tim Maia lançava o seu primeiro LP (pela Philips), o tropicalismo agonizava. O terreno para a internacionalização da cultura pop já havia sido cultivado no Brasil. O primeiro fruto realmente comercial desse cultivo chamou-se Tim Maia. Ele sintetizava os anseios tropicalistas: rompia com o círculo vicioso da música folclórica e sangrava influências por todo lado. A consciência de que a cultura brasileira não passava de uma geleia geral deu condições para o nascimento do pop. Pop era Tim. Vinha, aos 28 anos de idade, com a carreira já estabelecida pelos catorze anos de aventuras; fora parteiro da jovem guarda ao lado de Roberto Carlos, formara-se em soul em Nova York, onde viveu entre 1959 e 1964, gravara um compacto, dividira algumas gravações com Claudete Soares, Elis Regina e Antonio Marcos, atingira o sucesso com a canção “Não vou ficar”, cantada por Roberto Carlos em 1967. Era difícil aceitar uma voz rouca e inflexões melódicas tão parentes do soul americano. Só quem possuía as antenas para a história vindoura pode entender que o ruído estranho se transformaria em fundamento para uma nova modalidade de som e forma de vida na música brasileira.

Hoje esse ruído está incorporado como semente. Os 18 LPs gravados por Tim nos últimos 18 anos integram o patrimônio da música negra nacional, ao lado das obras de Gil, Jorge Ben e Paulinho da Viola. Entre todos, Tim é o mais internacional. Nunca beijou o anel nacionalista. Acendia os ouvidos para a música mundial. Basta ouvir agora seus seguidores – Ed Motta & Conexão Japeri, Claudio Zoli, Sandra Sá – para se chegar à constatação: Tim é o pai do pop brasileiro. O pop mesmo, com sua agressividade, visão de mercado, talento para transfundir as mais diversas faixas estéticas.

“A música brasileira não existe”, declarou Tim ao Jornal do Brasil em 22 de novembro de 1970. “O que há é o pop internacional. Autêntico mesmo só o samba de cavaquinho ou o regional nordestino. Bossa Nova é bossa-jazz. Música popular brasileira, não sei, não entendo”. Na época, a declaração soava pérfida, sem patriotismo. Agora, é lugar-comum dizer que não há problema se um pouco de soul for usado no samba ou vice-versa. A música brasileira internacionalizou-se. Baladas como “Primavera (Vai chuva)” e “Azul da cor do mar”, primeiros sucessos daquele disco inaugural de 1970, eram grávidas de futuro. Mais palatáveis aos dias que correm, “Me dê motivo” e “Neves e parques”, ambas de 1983, conseguem forjar lirismo dentro dos padrões mais pasteurizados. Impor a voz rouca sobre os vícios da produção tem sido o papel recente de Tim. Nem precisava. O futuro que anunciou acontece. Eis aqui doze de suas melhores profecias”. Confira:

01 - 1970 - Primavera (Vai chuva)
(Cassiano - Silvio Rochael)
02 - 1984 - Sufocante
(Carlos Dafé - Willian)
03 - 1973 - Gostava tanto de você
(Edson Trindade)
04 - 1983 - O descobridor dos sete mares
(Michel - Gilson Mendonça)
05 - 1980 - Tudo vai mudar
(Tim Maia)
06 - 1983 - Neves e parques
(Michel - Gilson Mendonça)
07 - 1970 - Azul da cor do mar
(Tim Maia)
08 - 1984 - Bons momentos
(Marquinhos - Michel)
09 - 1973 - Réu confesso
(Tim Maia)
10 - 1980 - Você e eu, eu e você (Juntinhos)
(Tim Maia)
11 - 1971 - Preciso aprender a ser só
(Marcos Valle - Paulo Sérgio Valle)
12 - 1983 - Me dê motivo
(Michael Sullivan - Paulo Massadas)



5 comentários:


  1. http://minhateca.com.br/sintoniamusikal/1677+-+TIM,1288970617.rar(archive)

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    1. Novo link:

      https://www.4shared.com/rar/AQMDHKEeda/1677_-_TIM.html

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  2. O Tim era uma daquelas pessoas que chegavam a cegar os outros com tanto brilho , nunca deixou d ser autentico e verdadeiro nas suas convicções e este presente dado pelo Blog é mais uma afirmação de que o que é bom permanece eternamente . Obrigado pessoal !!!!!


    Marcelo Francisco

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  3. Parece que foi ontem que o "Síndico" se foi, infelizmente, muito jovem... É uma benção ainda poder escutar as suas canções. Valeu, Chico!

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  4. Bem lembrado...
    Ótimo disco.
    Obrigado. Abraços!

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