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quarta-feira, 9 de março de 2016

Naná Vasconcelos - Saudades (LP 1979)

 Naná foi eleito 8 vezes o melhor percussionista do mundo pela "Down Beat"
Se, no cenário do rock’n’roll, o luto é pela morte do produtor musical dos Beatles, George Martin, no Brasil o lamento é pelo falecimento de Naná Vasconcelos, um dos maiores percussionistas do País e referência internacional na música brasileira, jazz e world music. O músico estava internado desde o último dia 29 no Hospital Unimed Recife III com complicações por causa de um câncer no pulmão. Segundo boletim médico, Naná não resistiu à progressão da doença e morreu aos 71 anos na manhã desta quarta-feira, 9, às 7h39.

Naná Vasconcelos já ganhou oito prêmios Grammy e também foi eleito oito vezes o melhor percussionista do mundo pela revista americana de jazz "Down Beat", que é publicada desde 1934. Sua última apresentação foi em Salvador, no I Festival Internacional de Percussão, ao lado de Lui Coimbra no dia 27 de fevereiro. O percussionista teria passado mal logo após o show. Ele tinha apresentações agendadas na Ásia para o mês de abril. O músico ficou encarregado de quase toda a trilha de "O Menino e o Mundo", animação brasileira de Alê Abreu indicada ao Oscar deste ano. Segundo Naná, a parceria com o diretor deu certo porque a trilha foi orgânica, acompanhando os passos do menino retratado no filme.

Nascido no Recife em 2 de agosto de 1944, começou a fazer música ainda criança. Tocou bateria em cabarés e se envolveu com o movimento do maracatu em Pernambuco. Além da habilidade com os tambores, também era referência em tocar berimbau. Nos anos 1960, chegou a acompanhar Gilberto Gil e Gal Costa em shows, e fez parte do Quarteto Livre, que acompanhou Geraldo Vandré na histórica "Pra não Dizer que Não Falei de Flores" na fase paulista do III FIC em 1968. Posteriormente, depois de formar Trio do Bagaço, com Nélson Angelo e Maurício Maestro, Naná empreendeu em uma bem-sucedida carreira internacional.

Utilizando instrumentos de percussão como o berimbau e a queixada de burro, chegou a tocar com ícones do jazz, incluindo Miles Davis, Art Blakey, Tony Williams, Don Cherry e Oliver Nelson.  Na década de 1970, tocou com grandes nomes da música internacional como Pat Metheny e Paul Simon, e fez shows históricos em Nova York e no prestigiado festival de jazz de Montreaux, na Suiça, encantando público e crítica. Eclético, Naná também fez parcerias com nomes como B.B. King, Jean-Luc Ponty e com a banda Talking Heads. No cinema, esteve em trilhas sonoras de filmes como "Procura-se Susan Desesperadamente", estrelado por Madonna, e "Down By Law", do cineasta Jim Jarmusch.

O músico marcou época abrindo por vários anos o Carnaval de Recife, regendo uma espécie de procissão com centenas de batuqueiros de diferentes nações de maracatu. Por conta disso, foi o grande homenageado em 2013 da folia na capital pernambucana. “Ser homenageado vivo já é uma vitória. Na minha terra, são duas. O que mais posso querer?", disse ele na época. O músico tratava a doença desde 2015, quando chegou a se submeter a sessões de quimioterapia. No mesmo ano, ele recebeu título de doutor honoris causa pela Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE). Em homenagem póstuma, segue o álbum “Saudades”, de 1979, que baixei na rede, e não sei a quem creditá-lo. Confira:

01 - O berimbau
 (Naná Vasconcelos)
02 - Vozes [Saudades]
 (Naná Vasconcelos)
03 - Ondas [Na óhlos de Petronila]
 (Naná Vasconcelos)
04 - Cego Aderaldo
(Egberto Gismonti)
05 - Dado
 (Naná Vasconcelos)


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