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quinta-feira, 25 de junho de 2015

Wilson Simonal ao vivo: Priscilla 15 anos (LP 1989)

LP com 1 mil exemplares foi distribuído aos convidados da debutante Priscilla
Há exatos 15 anos fomos surpreendidos com a triste notícia sobre o falecimento do Wilson Simonal (Rio de Janeiro, 23/02/1938 — São Paulo, 25/06/2000), cantor venerado por sua voz poderosa, dono de charme e swing imbatíveis. A data é lembrada pelo amigo internauta Osvaldo, que gentilmente me enviou o conteúdo de um CD pirata, adquirido no Mercado Livre, do LP “Priscilla 15 anos”, produzido em 1989 e com 1 mil exemplares de tiragem. Agradeço a ele por apresentar este raro e desconhecido disco, cotado a preço de ouro quando colocado à venda.

Segundo o livro “Nem vem que não tem – A vida e o veneno de Wilson Simonal”, de Ricardo Alexandre, o álbum foi produzido pelo empresário Djalma Figueiroa, proprietário de uma das maiores distribuidoras de discos do Brasil, a Comdil. Em agosto de 1989, o empresário contratou Simonal para a festa de debutante de sua filha Priscilla, realizada nos salões panorâmicos do Hotel Recife Palace, na capital pernambucana. O show foi gravado, prensado em LP, com imagem da aniversariante em pintura a óleo na capa, e distribuído como recordação aos convidados. Trata-se de joia rara, ainda inédita na rede, e tenho o prazer de apresentá-la aos fãs do cantor. As imagens da capa e contracapa, apresentadas na postagem, são de anúncios de venda do disco no Mercado Livre. Apesar de precárias, fiz o possível pra oferecer o melhor que a postagem merece. No entanto, o que me entristece, é lembrar que o presente registro aconteceu no período de ostracismo do cantor, e na fase em que Simonal, deprimido, entregou-se completamente à bebida, prejudicando a bela voz, infelizmente.

Pra quem não sabe, Simonal foi um dos cantores de maior sucesso no Brasil nos anos 1960/70. Teve programas de TV, vendeu mais disco do que sorvete em dia de calor, e sua popularidade chegou ao ápice em 1969, quando regeu público de 30 mil pessoas no show de abertura do Sérgio Mendes no Maracanãzinho. O prestígio começou a ruir a partir de agosto de 1971, quando descobriu desfalques nas contas de sua empresa, a Simonal Produções Artísticas, e desconfiou do contador. Em vez de processá-lo, chamou amigos policiais ligados aos órgãos de repressão para que dessem uma lição no provável desonesto. A história veio a público. O nome do artista passou a ser associado ao DOPS e ganhou fama de dedo-duro, informante do regime militar.

Simonal foi banido - pelos artistas, pelas gravadoras, pelas emissoras de rádio e televisão -  e perdeu público. Apesar dos desmentidos, e de nenhuma prova contra o cantor, inclusive de alguém que teria sido “dedurado” por ele, o sucesso não foi recuperado. Quando morreu, aos 62 anos, em São Paulo, o enterro foi acompanhado por cerca de 60 pessoas entre familiares e poucos conhecidos, como os cantores Silvio Brito e Jair Rodrigues, além da Wanderléa que compareceu no velório. Hoje, passados 15 anos, Simonal perdeu o rótulo de vilão para virar figura injustiçada, como mostra o documentário “Ninguém sabe o duro que dei”, de 2009 (assista aqui), que relata sua vida, a luta para limpar seu nome e as dificuldades enfrentadas, inclusive financeiras. Pra sobreviver, submeteu-se a cantar em churrascarias, pequenos espaços e também nesta festa de debutante. Confira:

01 - Abertura 
(Instrumental)
02 - Feliz 
(Jerry Adriani - Cury)
03 - Menina flor
 (Luiz Bonfá - M. Helena Toledo)
     Menina moça
 (Luiz Antônio)
04 - Everybody Wants to Rule the World 
(Orzabel - Stanley - Hughes)
05 - Yesterday
 (John Lennon - Paul McCartney)
06 - Priscilla
(Djalma - Xavier)
07 - Remelexo 
(Caetano Veloso)
08 - Minha flor
 (Djalma)
09 - Pot-pourri
 (Texto de Ronaldo Boscoli) 
     Anos dourados 
(Tom Jobim-Chico Buarque)
     O Calhambeque (Road hog
(John Loudermilk - Gwen Loudermilk - Vs: Erasmo Carlos)
     O bom
 (Carlos Imperial)
     O carango 
(Carlos Imperial - Nonato Buzar)
     Only you 
(Ande Rand - Buck Ram)
    10 - Festa profana 
(J. Brito-Bujão)
11 - Feliz (canta Claudinha)
(Jerry Adriani-Cury)


Colaboração: Osvaldo



9 comentários:

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  2. Caro Chico... Obrigado por este material!
    Em tempo: No nosso amado país as coisas funcionam e sempre funcionaram assim, a história é vendida, as pessoas compram, destroem vidas, depois alguém pede desculpas pelo erro cometido, quando já não há conserto.
    Abraço
    Milton

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    1. Muito obrigado pelo comentário, Milton, mas gostaria de estender o seu agradecimento ao Osvaldo, que gentilmente cedeu o material para postagem. Abraços.

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  3. Muito obrigado por esta preciosidade! Desejo anos de atividades longevas a este blog.

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  4. Parabéns por mais esse gol de placa. Você merece ser presenteado com essas preciosidades Chico. E agradeço tambem ao seu amigo osvaldo por ter autorizado a liberação para seus seguidores.
    Grande abraço aos dois

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  5. Onde estará Priscilla hoje em dia?

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  6. Chico, a empresa de Djalma Figueiroa chamava-se COMDIL (Comercial de Discos, Tapes e Acessórios Ltda), um complexo de distribuidora de discos, gravadora, estudios e radio. Numa época os herdeiros da Gravadora Rozenblit (que tinha o selo Mocambo) foram sócios dele. Nos anos 1990 comprei muitos discos, em vinil e em cd, por um preço absurdamente baixo. Hoje, mesmo que o depósito (venda em grosso e varejo) ainda funcionasse, seria difícil o acesso, já que os arredores não são mais seguros, com um dos mais altos índices de criminalidade do Recife.

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  7. Olá,eu tenho esse disco em ótimo estado de conservação,tanto a capa,como o vinil,não sabia que era tão raro,obrigado pela postagem,e pelas informações.

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