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sexta-feira, 10 de abril de 2015

Noite Ilustrada - Balada nº 7 (LP 1971)

 Noite Ilustrada gravou vários discos ao longo da carreira iniciada nos anos 50
Hoje, 10 de abril, o cantor Noite Ilustrada completaria 87 anos, se vivo estivesse, mas faleceu aos 75, em 28 julho de 2003, em Atibaia (SP), de câncer no pulmão. Pra lembrar este grande intérprete, vou postar o álbum lançado em 1971 pela Continental, e agradeço ao amigo Arnaldo, lá da Comunidade MC & JG, pela colaboração.  O destaque é a faixa de abertura “Balada Nº 7 (Mané Garrincha)”, sucesso na voz do Moacyr Franco, mas o disco é delicioso de ouvir até a última faixa, mostrando o talento e o balanço deste grande intérprete, praticamente esquecido dos meios de comunicação.

Mário Sousa Marques Filho – seu nome de batismo – nasceu na cidade mineira de Pirapetinga, na Zona da Mata, de onde foi levado ainda pequeno para a casa da avó, em Além Paraíba, pois a mãe, separada do marido, havia se mudado para o Rio de Janeiro para trabalhar de empregada doméstica. Aos sete anos, o pai foi buscá-lo para também levá-lo a então Capital Federal, onde trabalhava como motorista dos executivos em uma multinacional, e nas horas vagas, dava aulas de inglês. Foi criado num colégio interno, o Instituto Getúlio Vargas, em Bonsucesso, onde permaneceu até os 16 anos, e foi lá que descobriu sua vocação para a música. Aprendeu a tocar violão e criou suas primeiras composições.

Em busca de trabalho, foi à Praça Tiradentes, o ponto dos músicos, e acabou contratado para acompanhar os cantores da caravana do humorista Zé Trindade.  Um dia, ao anunciar o violonista, e se dar conta de que esquecera o seu nome, o humorista olhou para ele, nos bastidores, viu a revista Noite Ilustrada, de palavras cruzadas, em seu bolso, e anunciou: “Com vocês, Noite Ilustrada!”. A gracinha o deixou irritado, mas o apelido pegou. Em 1955, acompanhando ao violão os compositores da Portela, numa apresentação em São Paulo, recebeu convite para trabalhar em casas noturnas e não retornou com o grupo. Assinou contrato com a Rádio Nacional e a TV Paulista. Três anos depois, gravou seu primeiro disco, mas teve de esperar mais cinco anos pela explosão de sucesso, com “Volta por Cima”, hoje um clássico do Paulo Vanzolini.

A partir daí, a carreira deslanchou com outros sucessos, como “O neguinho e a senhorita”, do salgueirense Noel Rosa de Oliveira, e composições de Ataulfo Alves, como “Meus tempos de criança”, “Laranja madura” e “Pois é”. Manteve a carreira até meados dos anos 1980, quando mudou-se para Recife, onde permaneceu, por dez anos, vivendo exclusivamente de música. Ao retornar às terras paulistas, em 1994, foi morar em Atibaia. Dias antes de falecer, gravou um CD, cuja faixa-título, “Perfil de um Sambista”, é composição do violeiro Adalto Santos, e deixou dois discos inéditos: um tributo a Ataulfo Alves e outro a Lupicínio Rodrigues. Um adeus digno de quem eternizou em canto os versos “Reconhece a queda/E não desanima/Levanta, sacode a poeira, e da a volta por cima”. Confira:

01 - Balada Nº 7 (Mané Garrincha)
(Alberto Luiz)
02 - Zé Qualquer
(José Orlando)
03 - Ultrapassei Barreiras
(Carlos Gonçalves - José Leopoldo)
04 - Meus Dias de Semana
(Gildo Moreno - Pedro Costa)
05 - Torrão Tradicional
(Josias de Miranda)
06 - Deus Perdoe os Meus Pecados
(Milton Alves - Carvalho Nogueira)
07 - Corta Essa, Viu Bicho
(Edson Menezes - J. Palmeira)
08 - Sorriso Antigo
(Candeia - Aldecy)
09 - Passagem Para a Lua
(Zé Maria)
10 - Juras de Amor
(Jujubinha)
11 - Terra Proibida
(Marques Filho)
12 - Compreensão
(Ruben Gerardi - Ricoca)

Colaboração: Arnaldo


3 comentários:

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  2. Uma bela homenagem a um dos grandes intérpretes da MPB.
    Blog fenomenal, sempre em sintonia com a boa música.
    Abraços.
    Arnaldo Rodrigues.

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