Noite Ilustrada gravou vários discos ao longo da carreira iniciada nos anos 50
Hoje, 10 de abril, o cantor Noite Ilustrada completaria 87
anos, se vivo estivesse, mas faleceu aos 75, em 28 julho de 2003, em Atibaia
(SP), de câncer no pulmão. Pra lembrar este grande intérprete, vou postar o
álbum lançado em 1971 pela Continental, e agradeço ao amigo Arnaldo, lá da
Comunidade MC & JG, pela colaboração. O destaque é a faixa de abertura “Balada Nº 7
(Mané Garrincha)”, sucesso na voz do Moacyr Franco, mas o disco é delicioso de
ouvir até a última faixa, mostrando o talento e o balanço deste grande
intérprete, praticamente esquecido dos meios de comunicação.
Mário Sousa Marques Filho – seu nome de batismo – nasceu na
cidade mineira de Pirapetinga, na Zona da Mata, de onde foi levado ainda
pequeno para a casa da avó, em Além Paraíba, pois a mãe, separada do marido,
havia se mudado para o Rio de Janeiro para trabalhar de empregada doméstica.
Aos sete anos, o pai foi buscá-lo para também levá-lo a então Capital Federal,
onde trabalhava como motorista dos executivos em uma multinacional, e nas horas
vagas, dava aulas de inglês. Foi criado num colégio interno, o Instituto
Getúlio Vargas, em Bonsucesso, onde permaneceu até os 16 anos, e foi lá que
descobriu sua vocação para a música. Aprendeu a tocar violão e criou suas
primeiras composições.

Em busca de trabalho, foi à Praça Tiradentes, o ponto dos músicos,
e acabou contratado para acompanhar os cantores da caravana do humorista Zé Trindade.
Um dia, ao anunciar o violonista, e se
dar conta de que esquecera o seu nome, o humorista olhou para ele, nos
bastidores, viu a revista Noite Ilustrada, de palavras cruzadas, em seu bolso, e
anunciou: “Com vocês, Noite Ilustrada!”. A gracinha o deixou irritado, mas o
apelido pegou. Em 1955, acompanhando ao violão os compositores da Portela, numa
apresentação em São Paulo, recebeu convite para trabalhar em casas noturnas e
não retornou com o grupo. Assinou contrato com a Rádio Nacional e a TV Paulista.
Três anos depois, gravou seu primeiro disco, mas teve de esperar mais cinco
anos pela explosão de sucesso, com “Volta por Cima”, hoje um clássico do Paulo Vanzolini.
A partir daí, a carreira deslanchou com outros sucessos,
como “O neguinho e a senhorita”, do salgueirense Noel Rosa de Oliveira, e composições
de Ataulfo Alves, como “Meus tempos de criança”, “Laranja madura” e “Pois é”. Manteve
a carreira até meados dos anos 1980, quando mudou-se para Recife, onde
permaneceu, por dez anos, vivendo exclusivamente de música. Ao retornar às
terras paulistas, em 1994, foi morar em Atibaia. Dias antes de falecer, gravou
um CD, cuja faixa-título, “Perfil de um Sambista”, é composição do violeiro
Adalto Santos, e deixou dois discos inéditos: um tributo a Ataulfo Alves e
outro a Lupicínio Rodrigues. Um adeus digno de quem eternizou em canto os versos “Reconhece a queda/E não desanima/Levanta, sacode a poeira, e da a volta por
cima”. Confira:
01 - Balada Nº 7 (Mané Garrincha)
(Alberto Luiz)
02 - Zé Qualquer
(José Orlando)
03 - Ultrapassei Barreiras
(Carlos Gonçalves - José Leopoldo)
04 - Meus Dias de Semana
(Gildo Moreno - Pedro Costa)
05 - Torrão Tradicional
(Josias de Miranda)
06 - Deus Perdoe os Meus Pecados
(Milton Alves - Carvalho Nogueira)
07 - Corta Essa, Viu Bicho
(Edson Menezes - J. Palmeira)
08 - Sorriso Antigo
(Candeia - Aldecy)
09 - Passagem Para a Lua
(Zé Maria)
10 - Juras de Amor
(Jujubinha)
11 - Terra Proibida
(Marques Filho)
12 - Compreensão
(Ruben Gerardi - Ricoca)
Colaboração: Arnaldo