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quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

Vários intérpretes - Canta, Brasil! (LP 1967)

 Coletânea da Odeon foi produzida em homenagem aos 50 anos do David Nasser
Olha só que joia musical é este “Canta, Brasil”, álbum de 1967 com os principais contratados da EMI-Odeon, mais uma colaboração do nosso amigo Aderaldo, a quem agradeço. O disco, como explica o texto impresso na contracapa, é uma homenagem ao jornalista, escritor e poeta David Nasser (01/01/1917 – 10/12/1980), na época com 50 anos de idade. Apontado no disco como um dos maiores letristas da nossa música, David possui um rosário de famosos em sua lista de parceiros musicais. A relação é invejável, e passa desde Donga e Villas-Lobos até a jovenguardista Elizabeth. Na lista, que pode ser conferida no disco, inclui nomes como Custódio Mesquita, Haroldo Lobo, Vadico, Luiz Gonzaga, Francisco Alves, Nelson Gonçalves, Lupicinio Rodrigues, Hervê Cordovil e Ataulfo Alves, entre tantos outros.

O álbum oferece 14 gravações exclusivas, feitas para o disco, daí a existência de faixas raras. Entre os intérpretes destacam-se Clara Nunes, em início de carreira, Agnaldo Timóteo, Elza Soares, Altemar Dutra, Miltinho, Martha Mendonça e outros. O que me surpreende é a presença da Dalva de Oliveira, que não teria motivos para homenageá-lo. Na biografia que escreveu sobre a Carmen Miranda, o escritor e jornalista Ruy Castro lembra que David Nasser quase a mataria em 1949 com série de artigos  no Diário da Noite em que contava a separação entre a cantora e Herivelto Martins – sob o ponto de vista do Herivelto – sem se importar com as consequências sobre os filhos do casal, os cantores Peri Oliveira Martins, o Pery Ribeiro, e Ubiratan Oliveira Martins. O resultado foi a decisão do conselho tutelar de mandá-los ao internato até os 18 anos, alegando que Dalva não possuía conduta moral para criar os filhos, o que a fez entrar em desespero e depressão.

Castro destaca que, ainda em 1949, Nasser se valeu de sua fértil imaginação, aliada a falta de escrúpulos, e escreveu série de reportagem sobre a Carmen Miranda nos Estados Unidos, publicada ao longo de 32 semanas na revista O Cruzeiro, sem nunca entrevistá-la. Na verdade, só teve uma rápida conversa com ela nove anos antes, na volta de Carmen ao Rio, em 1940, segundo o biógrafo. “Tudo isso era bem David Nasser, no apogeu de sua canalhice, e se vingando de Carmen por ela ter gravado apenas uma letra sua, “Candeeiro”, dele e Kid Pepe”, escreve Castro no livro. Ou seja, o jornalista e o escritor não se separavam, e Nasser redigia suas matérias ao sabor dos interesses pessoais e dos amigos, como Herivelto Martins, seu parceiro musical em quatro das 14 canções deste “Canta, Brasil”. Confira:

01 - Dalva de Oliveira - Rancho do Lalá
(João Roberto Kelly - David Nasser)
02 - Coro Odeon - Canta Brasil
(Alcyr Pires Vermelho - David Nasser)
03 - Agnaldo Timóteo - Francisco Alves
(Herivelto Martins - David Nasser)
04 - Elza Soares - Negro telefone
(Herivelto Martins - David Nasser)
05 - Luiz Carlos Clay - Silêncio do cantor
(Joubert de Carvalho - David Nasser)
06 - Martha Mendonça - Se adormeço
(Herivelto Martins - David Nasser)
07 - Roberto Audi - Pensando em ti
(Herivelto Martins - David Nasser)
08 - Coro Odeon - Pot-pourri
Linda mascarada 
(João Roberto Kelly - David Nasser) 
 Confete 
(Jota Júnior - David Nasser)
 Serpentina
 (Haroldo Lobo - David Nasser)
09 - Altemar Dutra - Reportagem da saudade
(João Roberto Kelly - David Nasser)
10 - Trio Irakitan - Esmagando rosas
(Alcyr Pires Vermelho - David Nasser)
11- Clara Nunes - Estranho amor
(Garoto - David Nasser)
12 - Hugo Santana - Algodão
(Custódio Mesquita - David Nasser)
13 - Miltinho - Normalista
(Benedito Lacerda - David Nasser)
14 - João Dias - Até o amargo fim
(Newton Teixeira - David Nasser)

COLABORAÇÃO: Aderaldo


4 comentários:

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  2. Peço por favor que corrija a postagem. No texto em que fala da separação entre Erivelto Martins, cita como se fosse casado com CARMEM MIRANDA, o que não é verdade. O fato é que ele era casado com DALVA DE OLIVEIRA.
    Agradeço e parabéns pelo blog. Estamos precisando resgatar a MPB, que morreu precocemente.

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    1. Em primeiro lugar, o correto é HERIVELTO MARTINS, com “H”, e não Erivelto, como você escreve. Em segundo, a grafia correta é CARMEN MIRANDA, com “n” no final do nome, e não “m”. Em terceiro, a MPB não morreu “precocemente” (?!), e nem morrerá. Em quarto, o texto acima está com informação correta, e não necessita de revisão. Finalmente, em quinto, um conselho amigo: leia com mais atenção, por favor.

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