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sábado, 3 de agosto de 2013

Jamelão canta a dor de cotovelo (LP 1978)

Jamelão é considerado principal intérprete das músicas do Lupícinio Rodrigues
"Sai pra lá minha filha, que negócio é esse? Tá pensando que eu sou pai de santo?" - disparou José Bispo Clementino dos Santos para a fã que quis lhe beijar a mão. Para outra, que quis lhe beijar a bochecha, a reação foi igualmente ríspida: "Não! Não sei onde você andou com essa boca!". Fatos como esses deram a ele, Jamelão, a fama de mal-humorado, mas é pela excelência do seu canto que, felizmente, ele é mais conhecido. Intérprete dos sambas-enredo da Estação Primeira de Mangueira durante 58 anos (de 1949 a 2006) e presidente de honra da escola por nove anos (de 1999 até sua morte aos 95 em 14 de junho de 2008), Jamelão ganhou fama pela bonita e potente voz.

2013 é o centenário do seu nascimento. Pra lembrá-lo, separei este disco que - como o próprio título sugere - Jamelão canta a dor de cotovelo. A coletânea tem 12 faixas, seis delas compostas por Lupicínio Rodrigues, como “Ela disse-me assim”, “Vingança” e “Nervos de aço”. O álbum inclui, entre outras pérolas da fossa, a música “Só louco”, de Dorival Caymmi, que Jamelão lançou num compacto simples em 1976 pela Continental. O destaque desse single é o lado B – a música “Eu já nem sei”, hit da Wanderléa – que Jamelão fez questão de gravar ao pé da letra, assim como a Ternurinha: “Você não foi aquele que eu queria para mim”, como se cantasse para outro homem. A faixa segue como bônus.

Jamelão nasceu em 12 de maio de 1913, no bairro de São Cristovão, Rio de Janeiro. Quando moleque era conhecido como Saruê, e foi assim que começou a trabalhar, primeiro como engraxate, e depois como vendedor de jornal. Entre um bico e outro ainda arrumava tempo pra bater no tamborim em rodas de samba no subúrbio. Aos 15 anos já tinha algum prestígio em certos bairros como percussionista e cavaquinista, e levado pelo sambista Gradim (Lauro Santos) entrou como ritmista na bateria da escola de samba Estação Primeira de Mangueira. Começaria aí sua relação de amor com a agremiação. Na década de 1940 começou a participar dos concorridos programas de calouros em rádios e, finalmente, em 1945 ganhou o grande prêmio no programa “Calouros em desfile”, de Ary Barroso, ao interpretar "Ai, que saudades da Amélia" (Ataulfo Alves e Mário Lago).

Com a visibilidade que o prêmio lhe deu, assinou contrato como cantor em rádios e se tornou crooner da Orquestra Tabajara do Maestro Severino Araújo, com quem excursionou pela Europa. Suas primeiras gravações datam de 1949. Em 1956, Jamelão grava a primeira composição de sua autoria, o samba "Cansado de sofrer". No mesmo ano surgem seus primeiros grandes sucessos com a interpretação sentida de "Folha morta" (Ary Barroso) e o sambão "Exaltação à Mangueira" (Enéias Brito e Aluísio Augusto da Costa). Dois anos depois grava seu primeiro LP, Samba em noite de gala, pela gravadora Continental. Em 1959, um novo grande sucesso, "Ela disse-me assim" (Lupicínio Rodrigues), e Jamelão seria definitivamente reconhecido como grande intérprete de samba e da música de dor de cotovelo, da qual sua voz e sua interpretação resultam num santo remédio. Confira:

01 - Ela disse-me assim
(Lupicinio Rodrigues)
02 - Foi assim
(Lupicinio Rodrigues)
03 - Êta dor de cotovelo
(Lucio Cardim - Luis Felippe)
04 - Exemplo
(Lupicinio Rodrigues)
05 - Nervos de aço
(Lupicinio Rodrigues)
06 - Vingança
(Lupicinio Rodrigues)
07 - Matriz ou filial
(Lucio Cardim)
08 - Molambo
(Jayme Florence - Augusto Mesquita)
09 - Quem há de dizer
(Lupicínio Rodrigues - Alcides Gonçalves)
10 - Só louco
(Dorival Caymmi)
11 - Castigo
(Dolores Duran)
12 - Solidão
(Guaxinin - Floriano Mattos)
13 - Eu já nem sei (BÔNUS)
(Roberto Correa - Sylvio Son)

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