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terça-feira, 13 de agosto de 2013

Carlos Galhardo - O rei da valsa (LP 1960)

Carlos Galhardo é, depois de Chico Alves, quem mais gravou 78 RPM no País
A história se repete desde o Natal de 1933, quando foi gravada pela primeira vez:  a música “Boas festas” (Anoiteceu/ O sino gemeu/ E a gente ficou feliz a rezar), do genial Assis Valente, é sempre executada nessa época do ano, e já faz parte da trilha sonora natalina. No carnaval, o mesmo fenômeno acontece com a marcha “Allah-lá-ô”, de Haroldo Lobo e Nássara, que desde 1941 vem animando a festa dos foliões. As duas músicas são, sem dúvida, clássicos da MPB, e foram gravadas primeiramente pelo mesmo intérprete, o argentino Carlos Galhardo. Ironicamente, o cantor que veio ainda bebê para o Brasil,  ficou conhecido como “O rei da valsa”. Este é, a propósito, o título do presente álbum, lançado pela RCA Victor no final de 1960, mesmo ano do LP "Ele canta para você", disco anterior do cantor.

“O rei da valsa brasileiro" - informa o texto na contracapa - "julgou oportuno brindar o seu enorme público com um punhado de cintilantes joias exclusivamente dentro do gênero musical responsável em parte pela consolidação de sua fama no cenário artístico nacional. Mas Galhardo não quis se limitar a apenas às suas próprias antigas criações, incluiu, também, páginas celebrizadas por outros brilhantes colegas tempos atrás, como veremos a seguir na rápida análise que passamos a fazer de cada número aqui gravado”. Um dos destaques do repertório é “Misterioso amor”, uma homenagem póstuma de Galhardo ao amigo Francisco Alves, o rei da voz, falecido em 27 de setembro de 1952 num acidente de carro na via Dutra. Outro destaque é “E o destino desfolhou", música que as novas gerações conhecem pelo registro feito em 1972 pelo também saudoso Paulo Sérgio.

Filho de pais italianos, Galhardo passou a infância no Rio, e na adolescência trabalhou como alfaiate, mas sempre gostou de cantar. Fez um teste em 1932 na RCA Victor, que o contratou de imediato, e lá permaneceu até 1973. Gravou o último LP "Parabéns a mim por ter você" em 1978. Tornou-se um dos quatro grandes cantores da era do rádio, ao lado de Orlando Silva, Silvio Caldas e Francisco Alves. Participou de vários filmes e sua vendagem de discos de 78 rpm (cerca de 580 gravações) só foi menor do que a de Francisco Alves. Em 1983, fez a sua última apresentação no espetáculo “Allah-lá-ô”, de Ricardo Cravo Albin, dedicado ao compositor Antônio Nássara, realizado na Sala Funarte - Sidney Miller, no Rio. Carlos Galhardo faleceu em 25 de julho de 1985, aos 72 anos, e foi sepultado no Cemitério de São João Batista.  Confira o post:

01 - E o destino desfolhou
(Mario Rossi – Gastão Lamounier)
02 - Rapaziada do Bras
(Alberto Marino)
03 - Misterioso amor
(Saint-Clair Senna)
04 - Último beijo
(Jorge Faraj – Roberto Martins)
05 – Boneca
(Benedicto Lacerda – Aldo Cabral)
06 - A você
(Araulpho Alves – Aldo Cabral)
07 - Sonhos azuis
(João de Barro – Alberto Ribeiro)
08 – Mimi
(Uriel Lourival)
09 - Última inspiração
(Peterpan)
10 - Sorris da minha dor
(Paulo de Medeiros)
11 - Vidas mal traçadas
(Dante Santoro – Scylla Gusmão)
12 - Ave Maria
(Erotides de Campos)




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