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sexta-feira, 7 de junho de 2013

Heróis do Dia - Traçado a giz (LP 1988)

Heróis do Dia surgiram no início dos anos 1980 no boom das bandas de Brasília 

“Porque você não vê
Não há como vencer
Anule o seu voto
Pois nada vai mudar
Vamos pra rua
Protestar pra valer
Não fique aí parado
Eles não pensam em você
PDS – PCB – PMDB – PT pra você
PDS – PCB – PMDB – ah, vai se foder
No fim de tudo isso
Seu voto não valeu
Você foi enganado
E seu partido se fodeu”.

Os versos acima são de “Partido”, música que fecha este álbum dos Heróis do Dia (HD), e decidi destacá-los porque lamentavelmente retratam meu pensamento atual sobre os partidos políticos. Eu só não concordo com o último verso ("E seu partido se fodeu") porque o correto é trocar o “se” por “te”, uma vez que o único prejudicado neste país da roubalheira política é o pobre eleitor, nunca o partido, que sempre encontra um jeitinho de se dar bem com as malditas alianças, um câncer em nossa sociedade. Minha crítica não é ao atual governo, que é mais um, mas a todos de maneira geral, independente do partido, porque é tudo farinha do mesmo saco. Ando tão enojado dessa raça que na última eleição fiz algo que sempre condenei: anulei meu voto. Nunca imaginei que um dia faria isso porque defendia a ideia de que devia participar da importante missão de escolher meus governantes. Enfim, fui contra os meus princípios, mas não estou aqui pra falar de política. Apenas aproveitei a oportunidade pra desabafar.

Este é o primeiro álbum do grupo, surgido no boom das bandas de Brasília, no início dos anos 1980. “O disco, que traz canções desde o tempo em que o grupo se chamava Gestapo, ainda carrega resquícios de uma época mais panfletária, mas os caminhos da poesia, hoje, estão levando o disco”, informa o folheto encartado. De fato, a banda surgiu na época em que o regime militar dava os últimos suspiros. A banda foi formada no início de 1986, quase um ano após o fim da ditadura, com a fusão de dois grupos, o Burguesia Decadente e o Gestapo. A estreia da banda aconteceu em 21 de março de 1986 no antigo Teatro Galpão. A banda definitiva era formada por Marcelo Salomon (bateria), Luiz Montoro (guitarra), Nelson Dantas (Guitarra), Marcos Jacob (vocal) e Marcelo Lagos (baixo e vocal). Todas as 10 faixas do LP são de autoria dos cinco integrantes na foto acima.

Segundo o encarte, o disco foi gravado em 1987, e retrata o trabalho dos músicos nos últimos anos. Nele, há três músicas do tempo do Gestapo: “Problemas”, “Pais ditadores” e “Partidos”. Esta última, citada no início do texto, aparece aqui na sua versão original e, por isso, foi censurada para radiofusão e execução pública. As outras músicas vieram com a formação do HD. Esse disco ainda teve uma versão ao vivo, que pode ser degustada no site (aqui) da banda. Por sorte, o exemplar do disco que tenho veio acompanhado do material de divulgação, que adicionei na pasta com o áudio. Após três anos na estrada do underground, com apresentações em Brasília, São Paulo e Rio de Janeiro, o grupo chegou ao fim. Confira o álbum:

01 - R.I.P (Rest In Peace)
02 - Pros que babam
03 - Crepúsculo de Cubatão
04 - Pais ditadores
05 – Problemas
06 - Apertando Maria
07 - Horizonte perdido
08 - Nossos jovens
09 - Profissão de sábio
10 – Partidos

Todas as músicas são de autoria de Salomon, Jacob, Dantas, Montoro e Lagos.

FICHA TÉCNICA

Produção executiva – Elétric Produções
Produção – Eduardo Zero e HD
Mixagem – Eduardo Zero
Engenheiros de gravação – Jay Bateman, Luiz Montoro e WLA
Capa e contracapa (Logotipos e desenho) – Itamar de Freitas
Encarte – Itamar de Freitas e HD
Textos – Marcos Jacob
Fotos – Rogério Quintão
Teclados em “Horizonte perdido” – Jay Bateman
Gravado e mixado nos Estúdios Camerati, em Santo André – SP – entre setembro e novembro de 1987


7 comentários:

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  2. Parabéns pelo texto e pelo desabafo. Também nunca pensei em anular voto mas a politica tá cada vez mais insuportável, como quase tudo hoje em dia. É na música atual, nas noticias, no dia-a-dia, tá fo.a. Ainda bem que existem esses maravilhosos blogs para relembramos e descobrirmos tanta coisa boa...de um tempo atrás, nos anos 60(a melhor fase da música) e os anos 70 (boa época) e 80 (começando a cair), depois não tem quase nada. Valeu.

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    1. Muito obrigado. Concordo com o que diz, mas sou um pouco mais otimista em relação a música produzida atualmente no Brasil. Tem coisa boa, sim, mas não tem destaque e passa despercebida porque os meios de comunicação valorizam o modismo, a coisa ruim, descartável, de péssimo gosto, infelizmente.

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  3. Concordo com você, mas o que quiz dizer é em quantidade. Os anos 60, principalmente, tinha muita coisa boa, muita mesmo. Os anos 70 teve bastante, os 80 começou a cair e a queda é vertiginosa. Mas sei que hoje se faz coisas boas também, só que acabamos não sabendo. O blog UM QUE TENHA, por exemplo, mostrava coisas novas interessantes, mas eles caçam o blog, que acaba e depois volta e agora entrou em torrent e ficou chato de acompanhar e outros blogs também. Puxa, acho que os blogs vieram para ajudar e deviam ser mais livres.

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    1. Ah, sim, a produção musical dos anos 1960 foi maravilhosa, assim como a dos 1930, época fértil de Assis Valente, Ary Barroso, Noel Rosa e outros compositores que começaram a despontar, como Dorival Caymmi, revelado em 1939 pela Carmen Miranda. Eu apontaria o declínio a partir do final dos anos 1970 com o boom da discoteca. Na época, diante do sucesso da Gretchen, Elis Regina lamentou: "uma bunda vende mais discos do que eu". E a MPB nunca mais foi a mesma, pois até hoje a bunda - não necessariamente a da rainha do bumbum - não saiu de cartaz.

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  4. Sobre o post e a música "Partido" o último verso (seu partido se fodeu) é usado com duplo sentido, podendo ser entendido como "sua bunda se fodeu". Lembro desse grupo e quando os escutava sempre ficava imaginando porque fizeram esse último verso assim, pois era mais acostumado a escutar músicas de duplo sentido nos forrós de minha infância, aqui no nordeste brasileiro. Quanto à musica brasileira tenho a opinião que sempre foi muito prolifica e por isso mesmo sempre teve muitas bem canções boas e a maioria ruim. Como é feita em grande quantidade sobressai as ruins, mas fica fácil fazer uma seleção digna de ser escutada. e isso me refiro à todos os ritmos ,pois acho que não existe ritmo ruim e sim composições ruins. Grande abraço e parabéns pelo blog , que é excelente e tem a admiração desse visitante pouco afeito a comentar. Meu nome é Mardônio.

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  5. Novo link:

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