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segunda-feira, 29 de abril de 2013

Luiz Wanderley - Corta o cabelo dele (CS 1967)

Luiz Wanderley também gravou discos para os fãs da Jovem Guarda
Aposto que muita gente ficará satisfeita com este single do Luiz Wanderley. Já o vi a venda no Mercado Livre por R$ 200,00, e esse preço vigente há mais de cinco anos revela o quanto é raro. O disco, lançado em 1967 pelo selo AU (Artistas Unidos), traz as músicas “Corta o cabelo dele” e “Não deixe a peteca cair”, duas canções da safra iê-iê-iê deste talento hoje desconhecido do grande público. Vale esclarecer que a versão de “Corta o cabelo dele”, aqui apresentada, não é a do LP de forró que ele gravou no mesmo ano pela gravadora Cantagalo. O meu exemplar está sem a capa, e a foto acima é da internet.

Essa música é interessante pelo fato de retratar a sociedade da época, machista e repressora diante da mudança de comportamento dos jovens, que deixavam o cabelo crescer. Hoje, o que muitos rotulam como metrossexual, homem sintonizado com seu lado feminino, seria impensável na época. O disco também tem outro significado: mostra que Luiz Wanderley não se prendeu a estilo único, pois tinha versatilidade para todos os gêneros musicais. Gravou forró, baião, rock, jovem guarda, samba rock, samba de breque e outros. Além de cantar, também compunha. Se você curte Tim Maia, saiba que é dele, em parceria com João do Vale (outro esquecido, autor de "Carcará"), a criação do hit "Coroné Antonio Bento".

Luiz Wanderley de Almeida, seu nome completo, nasceu na cidade de Colônia de Leopoldina, no estado das Alagoas, em 27 de janeiro de 1932, e morreu em 19 de fevereiro de 1993 em Rio Tinto, na Paraíba, onde foi sepultado. Aperfeiçoou sua vocação pela música aos l6 anos. Entusiasmado pela originalidade da música nordestina, rumou para o Rio de Janeiro, a fim de tentar a carreira artística. Na cidade maravilhosa, entre outras coisas, foi também alfaiate. Fez sua estreia em disco em 1952, pela gravadora Star, com o samba "O palhaço chegou", de Rosângela de Almeida e Enzo Passos. O grande sucesso foi "Baiano burro nasce morto", de Gordurinha, lançado em 1959.

Roberto Torres, autor da biografia "Gordurinha: Baiano Burro Nasce Morto" (2ª ed. 2009), relata sobre esta música na página 67: “Transformou-se numa seta que atingiu de cheio o alvo dos preconceitos a que eram - e ainda são - submetidos os imigrantes nordestinos que viviam nas principais metrópoles do país: Rio de Janeiro e São Paulo". Um exemplo recente é o grupo de neonazistas, preso em Niterói (RJ) no sábado (27), por agredir um nordestino. O autor ainda observa: "E foi justamente por este motivo, que - ao ser lançada - “Baiano Burro Nasce Morto” pegou por inteiro, de surpresa o país. Até então, nunca na música brasileira uma voz nordestina - nem mesmo a do Luiz Gonzaga, o Rei do Baião - havia se sublevado neste sentido para defender a dignidade e auto-estima de seu povo com tanta autoridade". Confira, agora, uma das passagens do cantor pela Jovem Guarda:

01 – Corta o cabelo dele
(Luiz Wanderley - Noé Santos)
02 – Não deixe a peteca cair
(Luiz Wanderley)

10 comentários:

  1. http://www6.zippyshare.com/v/54958155/file.html

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    1. Novo link:

      http://minhateca.com.br/sintoniamusikal/0267+-+CS-LW,516071906.rar(archive)

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  2. Algo muito comum em discos dirigidos à Juventude: discrepância entre dados da capa, contracapa e selos, principalmente, em compactos de gravadoras menores; mas, há grande número de falhas nas informações de discos de grandes gravadoras, também. Este é um exemplo: na capa e no selo, "Corta o Cabelo dele"; na letra cantada, "Corte o Cabelo dele". E é de uma grande gravadora (Mocambo-Rozenblit, selo AU). Conhecemos dezenas de erros dessa natureza. Lamentável.

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    1. Caro amigo, o Luiz Wanderley não estava competindo com Roberto Carlos, pois não tinha estrutura na época. era um sátira, mesmo!

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  3. Caro Chico, sou frequentador antigo, desde o outro blog,e hoje resolvi fazer um pedido, uma musica do Jair Rodrigues, ou que pelo menos eu ouvi ele cantando em um programa de rádio á mais ou menos uns 15 anos atráz, consegui gravar , mas a fita estraviou, comprei dois cds de mp3 com coleções completas dele e procurei por esta musica e ñ encontrei. suspeito que o nome da musica seja esta:¨Falar De Amor¨, ñ tenho certeza,só sei dizer que é uma musica muito linda, lenta, eis a letra que eu decorei, talv~ez Vc tenha ; Você saiu,mas ficou a impressão que ainda está aqui, foram vagas as palavras não disseram fim, e o que você quis dizer ficou no ar. Não entendi, o motivo que levou Você agir assim, chego até acreditar que se cansou de mim, ou então foi dar um tempo pra pensar. Sei, que tudo foi levado à sério um pouco até demais, agora, vem e diz pra mim o que é que a gente faz, se é impossível esquecer tão derrepente a dor,não ,não adianta se fingir pois as lembranças traz, certas coisas que não se esquece mais, principalmente quando tudo vem falar de amor.... ... ... é isso aí chico, essa é a musica que eu humildemente já tenho pedido em vários blogs de musicas raras de se encontrar, e se acaso Vc conhecer e tiver, pesso pra que poste pra nós . principalmente porque por incrível que pareça , eu ouvia todas as noites antes de dormir, é como se fosse uma oração... obrigado desde já pela atenção, e desculpe por tomar espaço nesse comentário... mas foi uma forma de eu tentar conseguir esta musica.... abraços ... ( Farias )

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    1. Caro Farias

      A música chama-se "Pra falar de amor". Foi gravada no LP de 1989 pela Copacabana. Não tenho o disco, mas possuo a canção em mp3. Fiz o upload pra você. Está nesse link:

      http://kiwi6.com/file/qj31i52qzy

      Abs

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  4. Mais uma grande postagem. Tenho muita coisa da Jovem Guarda mas não conhecia esse disco. Valeu por mais essa preciosidade; Obrigado.

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  5. Bela postagem e agradeço pela raridade. Procuro há um bom tempo o áudio do LP do dublador de filmes e desenhos da TV Manchete, o Carlos Laranjeira. Ele lançou um único e hoje raríssimo LP em 1991, que é este:

    http://produto.mercadolivre.com.br/MLB-472101372-carlos-laranjeira-lp-vinil-_JM#questionText

    Caso algum frequentador do blog possua esta raridade, que se encontra bem baratinha no Mercado Livre e em ótimo estado, que por favor, envie um link para o blog com capa, contracapa e fotos dos selos escaneadas, pois me deixaria muito feliz. Inclusive o Laranjeira fez uma novela na Globo na década de 70, se não me engano. Já ouvi dizer que ele era um excelente cantor. Tenho curiosidade e vontade em poder ouvi-lo. O achava um dos grandes dubladores da TV brasileira.

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  6. Me desculpem por fazer tantos pedidos de discos, mas como não possuo aparelhagem para ripagem de LP's e tampouco sei como se faz isso, acabo pedindo para quem porventura tenha esses discos e saiba ripar. Tenho uma coleção até legal de CD's, mas tudo já está postado na net em altíquissima qualidade, como discos de Caetano, Gilberto Gil, entre outros. Fica parecendo que eu sou um sanguessuga... Que só peço e com nada contribuo... Mas caso alguém esteja procurando por algo e eu puder ajudar, ficarei grato em ajudar. É só me contatarem que estarei disposto a ajudar no que for preciso.

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  7. MEU RELATO E MINHA OPINIÃO

    Autor: Azaury Gomes Ferreira - Recife - PE

    Luiz Wanderley nos anos 60 participou de um filme da Atlântida, com a Música Carolina, não a Carolina de Luiz Gonzaga, nem tão pouco a de Chico Buarque de Hollanda, mas sim a dele própria; em ritmo de rock falava da perna da Carolina. Período que o rock-n-roll estava começando no Brasil “contagiando” a moçada. Sendo um artista completo, versátil e satírico, fazia imitação de vários cantores, cantava em todos os ritmos, chegava a ser confundido com outros cantores da época.
    Em 1963, ele regravou a música Número um, em ritmo de bolero, a qual fez muito sucesso por todo nordeste, especialmente em Recife, tornando-o ainda mais conhecido na região e revelando sua outra vocação como interprete de boleros. Sua atuação era mais na Bahia e as regiões sul e sudeste. Teve contratos nas rádios Nacional e Mayrink Veiga no Rio de Janeiro. Aqui no Recife, fez várias apresentações na TV Jornal do Commercio-Canal 2, no programa “Você faz o show”, do saudoso apresentador Fernando Castelão. Chegando o mesmo a convidá-lo para apresentações semanais junto com Raul Gil, proposta não firmada devido ao compromisso artístico no sul do país, e as constantes viagens que faria ao Recife e talvez o medo de avião, conforme o mesmo revelado posteriormente. Por falar em avião, lembro-me de um fato que ainda não esqueci, como menino curioso na época, na primeira apresentação do cantor em Colônia Leopoldina, Alagoas, sua terra natal; ouvi dele em conversava com um grupo de amigos acerca da proposta de Castelão: – “É UMA BOA PROPOSTA E OS AVIÕES BOINGS SÃO RÁPIDOS, MAS ESTÃO SEMPRE EXPLODINDO NO AR, EU VÔO NELES, MAS COM MUITO RECEIO”! Estava começando a era dos jatos no Brasil e o medo de Wanderley de voar fazia transparecer!
    Luiz Wanderley fez escola na sua maneira “sui-generis” de cantar! Os mais antigos lembram de seus sapateados, do côco-rojão, das “mungangas”. Foi ele o precursor do “forró buliçoso”, deu alma ao forró. Seus seguidores são muitos, pois, deixou um grande legado artístico. Junto com outros grandes, contribuíram bastante para a música autêntica nordestina: o forró-pé-serra. Influenciou cantores como Alceu Valença, Sandro Becker, Maciel Melo e outros mais neo-cantores de forró de nossa geração que proliferam a cada dia. E não são poucos! Eles nunca fizeram referências ao cantor, talvez por desconhecimento ou orgulho mesmo! Cabe a nós reconhecermos o tributo ao cantor e não deixar de enaltecer as qualidades raras desse valoroso cantor e compositor, porque vivemos no país do esquecimento, onde os valores são invertidos e as boas coisas passam despercebidas. É como disse Genival Lacerda: “Acabou-se o forró como grandes forrozeiros faziam: Não há mais um Luiz Wanderley, um Jackson, um Jacinto” (publ. Jornal do Commércio 31-04-2004).
    Nesse gênero musical, se me perguntarem que é o melhor? Jackson do Pandeiro, Luiz Gonzaga, Ary Lobo, Jacinto Silva, Genival Lacerda e Luiz Wanderley. Eu respondo sem pestanejar: Todos são exelentes!


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